Quais Doenças e CID Dão Direito ao BPC/LOAS
Não existe lista fechada de doenças que dão direito ao BPC/LOAS — veja os grupos de CID mais aceitos pela perícia do INSS e o que de fato garante o benefício.

Não existe uma lista fechada de doenças ou CID que dão direito ao BPC/LOAS automaticamente. O que garante o benefício é o impedimento de longo prazo (mínimo de 2 anos) causado pela condição, avaliado caso a caso pela perícia biopsicossocial do INSS — médica e social.
Isso vale tanto para diagnósticos graves quanto para condições que, dependendo do grau, podem ou não configurar impedimento suficiente — caso de TDAH e autismo, os dois CID mais buscados relacionados ao BPC.
Neste artigo
Como funciona o critério de doença/CID no BPC
O BPC por deficiência exige impedimento de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, que, em interação com barreiras sociais, limite a participação plena da pessoa em igualdade de condições com as demais.
O INSS avalia isso por dois laudos complementares: a perícia médica, que registra o diagnóstico e sua gravidade clínica, e a avaliação social, que documenta o impacto real na vida da pessoa — escola, trabalho, autonomia, convívio social.
Um CID grave sem impacto funcional documentado pode ser negado; um CID considerado "leve" pela medicina, mas com impedimento funcional bem comprovado, pode ser aprovado. É por isso que o INSS não trabalha com lista fechada: o nome da doença é só o ponto de partida da análise.
Veja o guia completo de quem tem direito ao BPC/LOAS para entender os requisitos em detalhe.
Principais grupos de doenças que costumam dar direito ao BPC
Dica
Grupos de condições mais comuns em pedidos aprovados:
- Transtornos do neurodesenvolvimento e mentais (TEA, TDAH grave, esquizofrenia, transtorno bipolar)
- Doenças neurológicas (Parkinson, Alzheimer, epilepsia refratária, sequelas de AVC)
- Doenças crônicas graves (câncer em tratamento, insuficiência renal crônica, lúpus com dano de órgão)
- Deficiências físicas e sensoriais (cegueira, surdez, amputação, paralisia)
Dentro de cada grupo, o que separa um pedido aprovado de um negado não é só o diagnóstico, mas a intensidade do impedimento e a qualidade da documentação apresentada na perícia. Nos transtornos mentais e do neurodesenvolvimento, por exemplo, raramente existe exame laboratorial que "prove" a condição — o peso recai quase todo sobre o relatório clínico e a avaliação social, diferente de uma doença renal crônica, em que exames objetivos (taxa de filtração glomerular, necessidade de diálise) já demonstram boa parte do impedimento sozinhos.
Já nas doenças crônicas graves, como câncer em tratamento ou insuficiência renal, o INSS costuma considerar também o tempo estimado de afastamento e o tipo de tratamento (quimioterapia, radioterapia, diálise regular) como parte da avaliação do impedimento, além do estágio da doença.
CID mais comuns associados a pedidos de BPC aprovados
Nenhum destes CID garante o BPC sozinho — servem como ponto de partida do laudo médico, não como uma "lista de aprovação automática":
- F84 — Transtornos globais do desenvolvimento (inclui autismo/TEA)
- F90 — Transtornos hipercinéticos (inclui TDAH)
- F70 a F79 — Deficiência intelectual, por grau de comprometimento
- F20 — Esquizofrenia
- F31 — Transtorno afetivo bipolar
- G40 — Epilepsia
- G20 — Doença de Parkinson
- G30 — Doença de Alzheimer
- I69 — Sequelas de doença cerebrovascular (AVC)
- M32 — Lúpus eritematoso sistêmico
- C00 a C97 — Neoplasias malignas (câncer, por localização)
O laudo médico precisa trazer o CID específico, não só a categoria — "F84" sozinho, por exemplo, diz pouco sem o subtipo e o relatório de como o transtorno afeta a pessoa no dia a dia.
Documentação que fortalece o pedido por doença específica
Documentos que costumam pesar a favor, independentemente da doença:
- Laudo médico recente (últimos 6 a 12 meses) com CID específico e descrição da gravidade
- Histórico de exames e tratamentos, mostrando a evolução da condição ao longo do tempo
- Relatório escolar ou profissional, quando a condição afeta desempenho ou permanência em atividades
- Relatório de profissionais complementares (psicólogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo), quando existir
Laudo antigo, genérico ou sem CID específico é uma causa comum de indeferimento — não porque a doença não dê direito, mas porque a perícia não teve como avaliar o impedimento de verdade.
TDAH e autismo têm direito ao BPC?
TDAH e autismo (TEA) são, hoje, as duas condições mais buscadas relacionadas ao BPC — e as regras de análise são diferentes entre elas.
O autismo tem uma vantagem legal específica: a Lei 12.764/2012 equipara a pessoa com TEA a pessoa com deficiência para todos os efeitos legais, o que facilita (mas não garante automaticamente) a concessão. Veja o guia completo de autismo e BPC/LOAS.
O TDAH não tem essa equiparação legal e depende mais diretamente de comprovar impedimento funcional relevante, geralmente quando há comorbidade ou grau elevado de comprometimento. Veja o guia completo de TDAH e BPC/LOAS.
Se o pedido já foi negado com base na avaliação da doença, ou se você tem dúvida se o seu diagnóstico se encaixa no critério de impedimento, vale conversar com um advogado especialista em BPC/LOAS antes de recorrer.
Perguntas frequentes
Existe uma lista oficial e fechada de CID que dá direito ao BPC?+−
Não. O INSS não publica uma lista fechada de doenças ou CID que garantem o BPC automaticamente. A concessão depende do impedimento de longo prazo causado pela condição, avaliado individualmente em cada perícia.
Um CID "leve" nunca dá direito ao BPC?+−
Pode dar, se o impedimento causado na prática for de longo prazo e limitar de verdade a participação social da pessoa. A gravidade médica do diagnóstico pesa, mas o que decide é o impacto funcional documentado no laudo e na avaliação social.
Preciso de um advogado para provar que minha doença dá direito ao BPC?+−
Não é obrigatório para o pedido inicial, mas ajuda bastante quando o laudo médico ou a perícia social não refletem a real limitação da pessoa — situação comum em condições que não têm exame laboratorial objetivo, como transtornos do neurodesenvolvimento.
Tem dúvida sobre o seu caso? Fale com um advogado especialista em BPC/LOAS.
Francisco Sampaio
Advogado atuante em Direito Previdenciário, com atuação focada em BPC/LOAS. Formado em Direito pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR), inscrito na OAB/RO sob o nº 15233.
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